O lado positivo deste ano será bom para o negócio e o dinheiro pode ser gerado ou obtido facilmente. É o momento de pedir ao seu banco o empréstimo que sempre desejou. Grande despesa e plano pródigo serão a regra do dia. O poderoso dragão não é muito prudente. Joga por tudo e por nada. Estimular-nos-á a pensar e a agir em grande, mesmo ultrapassando os limites do cuidado.
Os orientais consideram que este é um ano auspicioso, bom para casar, ter filhos ou começar um negócio novo, porque o dragão benevolente traz a boa fortuna e a felicidade.
Entretanto, este é também um momento de moderar o nosso entusiasmo e de olhar duas vezes antes de dar um mergulho. Muito embora o afortunado dragão regue com a sua sorte indiscriminadamente tudo, a mesma sorte desaparece quando o tempo nos retribui dos nossos erros. O sucesso e as falhas serão ampliados da mesma maneira. Os anos do dragão fogo são especialmente temidos, porque são mais destruidores do que os dragões de outros elementos.
No ano do dragão, as fortunas assim como os desastres virão em ondas maciças. Este é um ano marcado por muitas surpresas e atos violentos da natureza. Os temperamentos alargar-se-ão ao mundo excedente e todos estarão encenando alguma revolta real ou imaginária de encontro às suas constrições. A atmosfera elétrica criada pelo poderoso dragão afetar-nos-á, de forma individual e coletiva, a tudo e a todos.
Há cinco tipos de dragões: Dragão Metal, Dragão Madeira, Dragão Fogo, Dragão Terra e Dragão Água.
O Dragão Água regeu os anos de 1892, 1952, regerá o ano de 2012.
Dragão Água:
Um tipo menor de Dragão Imperador que favorece o melhor crescimento e a expansão.
Pode pôr de lado o seu ego para o bem de tudo e de todos sendo menos egoísta.
Uma pessoa inibida, mas progressiva, tenta duramente não ser tão conspícuo quanto os outros famintos Dragões.
Porém não será ele que vai ser etiquetado como conciliador.
Pode supor uma atitude de “esperar para ver” e as suas sagacidades são tão formidáveis quanto a sua força de vontade.
O Dragão água tem uma filosofia de vida muito própria e gostam de impô-la aos outros, no entanto não procuram vingança naqueles que escolhem ir pelo caminho oposto. Democrático e liberal pode aceitar a derrota ou a rejeição sem se defender.
A água é calma e benéfica para o seu signo lunar e ele saberá agir sabiamente e fazer o que é essencial para o seu progresso.
É rápido e de confiança e é capaz de promover as suas idéias de forma devota e incansável. É provável ser bem sucedido como negociante, porque conhece e sabe quando, onde e como aplicar a força negocial.
O inconveniente principal é que pode ser como um construtor demasiado otimista que se esquece de reforçar a fundação.
Por tentar segurar muita coisa ao mesmo tempo pode perder tudo.
Tem de aprender a fazer escolhas difíceis e abandonar o que quer que seja duvidoso ou desnecessário.
Desta maneira, poderá direcionar as suas energias para menos coisas, mas mais compensadoras.
Para o zodíaco chinês, 2012 é o ano do Dragão de água. Um personagem mitológico carregado de sucesso e de sorte, mas totalmente imprevisível e arriscando stresse excessivo. Ora, incerteza e picos de stresse é o que parece não faltar no próximo ano, segundo os treze académicos e analistas ouvidos em pontos bem diferentes do planeta.
VERSÃO EM INGLÊS 2012: Total Uncertainty in the year of the Dragon (via LisWires)
INTRODUÇÃO
Previsões sólidas foram difíceis de arrancar. Os temas de preocupação são consensuais – crise do euro, Estados Unidos, China, bomba ao retardador dos desequilíbrios mundiais entre países excedentários e deficitários, e zonas de alto risco de conflito militar com impacto económico global -, mas o resultado final é uma interrogação.
O pano de fundo continua o mesmo – a convergência de uma crise financeira e económica de que já não havia memória desde os anos 1930 com uma nova fase da globalização que, desde os anos 1990, catapultou para a ribalta novos protagonistas na geoeconomia e na geopolítica.
CINCO – CINCO – CINCO – CINCO – CINCO RISCOS
. Crise da zona euro: risco de vaga de incumprimentos das dívidas soberanas nos “periféricos”; período de maior risco: 1º semestre
. Risco intermitente de incumprimento seletivo nos Estados Unidos devido a divergências no Congresso até eleições presidenciais
. Maior grau de incerteza: China – entre o risco de rebentar a bolha imobiliária e a internacionalização do yuan desafiando o dólar
. Curso da crise: risco de 2012 ser a repetição de 1937, com recaída global na recessão (double-dip)
. Problema estrutural que continua por discutir: os desequilíbrios mundiais entre países excedentários e países deficitários já designado por “equilíbrio do terror financeiro”
Euro: ou vai ou racha
A crise do euro é o tema que mais opiniões atrai. O primeiro semestre de 2012 parece ser crítico sobre a sua sorte. Dois países com peso surgem na ribalta: Itália e França. Globalmente, os países do euro terão de refinanciar 1 bilião de euros de dívida ao longo do ano. Os bancos da zona euro, só no primeiro semestre, terão de pagar €665 mil milhões de dívida que vence.
Itália – cisne negro? A Itália terá de se refinanciar em €440 mil milhões, sem contar com novas emissões de dívida, segundo o Departamento do Tesouro em Roma. “Só em março serão 200 mil milhões. O meu medo é que as condições de mercado fiquem fora de controlo, dada a inabilidade dos governos da zona euro. Se os juros dos títulos italianos galgam os 8%, podem tornar-se altamente voláteis e atingir níveis inimagináveis há uns meses atrás”, refere-nos Diego Valiante, chefe de investigação no European Capital Markets Institute em Bruxelas. Valiante fala da Itália ser o ponto fraco do refinanciamento europeu em 2012 e de poder ser a surpresa desagradável do ano – o “cisne negro”.
A hipótese de um incumprimento temporário, e nomeadamente doméstico (60% da dívida soberana é detida por italianos), não é descartada. Fabrizio Goria, editor do jornal financeiro Linkiesta, é mesmo mais radical: “A Itália vai necessitar de uma re-estruturação da dívida. Não é demasiado grande para falir – é demasiado grande para resgatar. O Fundo Europeu de Estabilização Financeira não é solução e o novo Mecanismo de Estabilização Europeu pode não chegar a tempo”. Por isso, Hugo Dixon, editor do Reuters Breakingviews, em Londres, acha que a “Itália vai recorrer ao Fundo Monetário Internacional”. Constantin Gurdgiev, um professor russo a lecionar no Trinity College, em Dublin, arrisca mesmo: “Itália pode ser um cisne negro na zona euro”.
França – perde triplo A e inviabiliza FEEF e MEE? Por seu lado, a França “vai perder a sua notação de triplo A”, diz-nos Fabrice Pelosi, editor financeiro do Yahoo! Finance, em Paris. O resultado será uma campanha eleitoral para as presidenciais em abril e maio renhida, com um disparo da extrema-direita. Os resultados destas eleições são ainda uma incógnita, mas Pelosi espera “um novo plano de austeridade, o aumento do desemprego e o levantar de voo dos juros nos mercados de dívida”. Os resultados em França poderão, ainda, ter outra consequência: o colapso do eixo Merkozy (formado pela chanceler alemã Merkel e pelo atual presidente francês Nicolas Sarkozy). O hexágono gaulês vai ter de se refinanciar em €300 mil milhões de dívida que vence acrescidos de mais 100 mil milhões derivados do défice previsto para 2012.
A crise do euro abre, no entanto, oportunidades para os “de fora”, diz o consultor indiano Ashutosh Sheshabalaya, responsável pela IndiaAdvisory, que reparte o seu tempo entre a Índia, Bélgica e Portugal. “Biliões de ativos europeus – excluindo os alemães – ‘aflitos” serão apetitosos para os grupos financeiros ingleses e norte-americanos, para os conglomerados indianos e capitais chineses”, afirma.
Escalada e vaga de incumprimentos? Olhada da Austrália, a crise do euro poderá desencadear “uma cadeia de acontecimentos”, diz-nos Bill Lucarelli, professor na Universidade de Sidney. Um dos riscos é uma “escalada” da crise. “Se as atuais políticas de austeridade continuarem, é possível que os países periféricos deficitários entrem numa fase prolongada de deflação da dívida. Uma cascata de incumprimentos poderá vir a seguir a este processo acumulado de estagnação e declínio. Nestas circunstâncias extremas, a política monetária torna-se ineficaz e caímos numa situação similar à japonesa nas últimas décadas”, sublinha o professor australiano.
O emagrecimento da zona euro é um cenário que deve ser considerado “realista”, apesar do salto em frente que se pretende dar com o “compacto orçamental”, dizem vários dos entrevistados. Michael Pettis, a partir de Beijing, é particularmente crítico: “A Alemanha não dá mostras de compreender o seu papel nesta crise” e há limites para a aceitação política da terapia de choque nos periféricos, pelo que vários países membros poderão “congelar os depósitos bancários e implorarem o processo de saída do euro”, diz o professor de Finanças da Escola de Gestão Guanghua da Universidade de Beijing.
No entanto, a contra corrente, o finlandês Paavo Okko, professor da Universidade de Turku, acha que não haverá mais incumprimentos, mas apenas “alguns picos nos juros”. A própria saída do euro por parte da Grécia não lhe parece que ocorra em 2012. Hugo Dixon é, também, de opinião que não haverá saídas do euro.
O custo de saídas individuais do euro, e mesmo da desintegração da zona euro, é muito elevado, sem dúvida, refere o alemão Ansgar Belke, da Universidade de Duisburg-Essen, mas “pode chegar o momento em que apenas um pequeno choque adicional é suficiente para forçar o colapso de toda a união monetária”. Isso pode acontecer se o “limiar de dor” for alcançado por vários países da zona após um período de austeridade dolorosa e altos níveis de desemprego.
A possibilidade de períodos de “transição dual” durante 3 a 5 anos, com o euro e o regresso a uma moeda nacional lado a lado na contabilidade de empresas e de bancos de países da zona euro, é uma hipótese levantada por Sheshabalaya e por Gurdgiev, no caso de vários países abandonarem a moeda única em 2012.
EUA: intermitência do incumprimento
“Podem ocorrer momentos de incumprimento seletivo a cada dois meses até às eleições em novembro”, diz Peter Cohan, que vê a luta política pré-eleitoral como o real problema norte-americano, podendo criar situações de crise aguda como em agosto de 2011. O que conduziu ao corte de notação triplo A no verão passado pela agência Standard & Poor’s.
A economia real está muito melhor do que a imagem que é dada diariamente dos EUA, sublinha o analista de Boston. Em 2011 atingiram-se lucros recorde. E Cohan espera que em 2012 tais lucros sejam inclusive na ordem de dois dígitos e que a economia americana possa crescer 3%. Bob Eisenbeis, da consultora de investimentos norte-americana Cumberland Advisors, coloca a culpa no “comportamento disfuncional dos políticos em DC que não mostra sinais de mudança”. Mas não crê que um novo corte de notação da dívida dos EUA, colocando-a abaixo do atual AA+ atribuído pela Standard & Poor’s, se venha a verificar no próximo ano.
Por outro lado, como sublinha Constantin Gurdgiev, a predominância da China e do Médio Oriente na procura dos títulos do Tesouro norte-americanos vai acentuar-se. Os dois protagonistas terão a última palavra sobre o “imperialismo baseado na dívida” da superpotência, como o professor americano Michael Hudson baptizou a projecção global norte-americana desde os anos 1970. O que, também, tem outra implicação: o que quer que aconteça, de negativo, nesses espaços terá efeitos drásticos em Washington DC.
China: uma enorme interrogação
O principal desafio da China continua a ser domar o sobreaquecimento da economia e evitar um estoiro da “bolha” imobiliária, bem como fazer a transição para um novo modelo económico menos mercantilista (até aqui apostado nas exportações e na moeda desvalorizada artificialmente) e mais consumista internamente, já aprovado em março com o plano quinquenal 2011-2015. Um momento alto dessa transição será a eleição de uma nova liderança do Partido Comunista da China no 18º Congresso no outono.
Mas Michael Pettis, a partir de Beijing, tem dúvidas: “A China não conseguirá ainda concluir o seu debate interno sobre os passos a dar para reequilibrar a sua economia. Por isso, as taxas de crescimento continuarão elevadas, na ordem dos 7 a 8%. No entanto, os níveis de dívida dispararão, o suficiente para alarmar o mundo”.
Além da projeção externa dos seus capitais, a China está apostada na afirmação internacional do yuan, a moeda chinesa. O recente acordo com o Japão encorajando as trocas comerciais a realizarem-se nas moedas respetivas, e não no dólar, é significativo de uma mudança de posição geopolítica que em 2012 poderá acentuar-se. A China é a segunda maior economia do mundo e o Japão a terceira – o simbolismo desta decisão é mais do que óbvio.
Repetição de 1937: uma hipótese não académica
O ano de 1937 ficou batizado, durante a Grande Depressão do início do século passado, como o do double-dip, ou recaída na recessão. O australiano Bill Lucarelli acha que pode repetir-se o mesmo padrão de então. Ele adianta que os desequilíbrios mundiais entre países excedentários e deficitários estão a avolumar-se e que a “paz” atual pode romper-se de um momento para o outro. Lucarelli usa a expressão de “balança do terror financeiro”, cunhada por Larry Summers, ex-secretário do Tesouro de Bill Clinton, em 2004, para caracterizar a situação de alto risco em que se vive.
Apesar das previsões de um crescimento mundial na ordem dos 3,6%, “o mito de que o mundo emergente se separou dos problemas da crise dos desenvolvidos poderá morrer em 2012″, alvitra Michael Pettis. O resultado será um declínio abrupto do crescimento nessa parte do mundo que tem servido de motor desde o início do século, o que implicaria um cenário temível de sincronização do abrandamento em diversas geografias.
No entanto, o australiano Peter Drysdale acha que “as economias asiáticas emergentes ainda estão numa posição forte”. “O potencial de crescimento permanece elevado. Isso não mudou com a crise mundial”, refere o professor da Crawford School of Economics and Government da Universidade da Austrália, em Camberra. E recorda o caso do Japão entre as duas guerras mundiais do século XX que, apesar dos múltiplos choques que sofreu, cresceu, em termos reais, a mais de 4% ao ano, um nível excecional para os padrões da época. Recorde-se que os EUA, na década de 1930, cresceram, em média, 1,3%.
Na própria zona euro, o intervalo de variação pode ser significativo, diz Paavo Okko, entre a estagnação e uma recessão de 2% em média em toda a União Europeia, se a crise da dívida se agravar. “Em alguns países, 5% de quebra”, parece-lhe provável e a assimetria pode acentuar-se, com países mantendo níveis de crescimento, como a Alemanha e os Nórdicos, face a largas manchas continentais de recessão e depressão.
Vários paióis geopolíticos
A par da luta pela hegemonia dentro da União Europeia e do crescente radicalismo dentro do Congresso norte-americano, há vários pontos do mundo à espera de um fósforo. O “Global FX Outlook 2012″ da consultora Nomura fala em 10. Qualquer um deles tem carga suficiente para “sacudir os mercados”.
A principal preocupação do analista Peter Cohan é um potencial conflito entre Israel e o Irão e o bloqueio do estreito de Ormuz, com os impactos que pode ter nos circuitos logísticos do petróleo e no seu preço, bem como no conflito mais generalizado que pode incendiar.
Mas surpresas podem acontecer, também, na Ásia – não faltam braseiros potenciais.
Para o australiano Peter Drysdale a “maior incerteza é saber qual vai ser a resposta americana, e em menor grau europeia, à China”. Uma “ressaca” psicológica em 2012, com um ressentimento antichinês, particularmente nos EUA, poderá ser contraproducente, conclui.
OS ENTREVISTADOS (por entrada em cena)
- Diego Valiante, chefe de investigação do European Capital Markets Institite, Bruxelas, Bélgica
- Fabrizio Goria, editor Linkiesta, Milão, Itália
- Hugo Dixon, editor e fundador do Reuters Breakingviews, Londres, Reino Unido
- Constantin Gurdgiev, professor Trinity College, Dublin, Irlanda
- Fabrice Pelosi, editor do Yahoo! Finance, Paris, França
- Ashustosh Sheshabalaya, IndiaAdvisory, Bruxelas, Bélgica, e Nova Deli, Índia
- Bill Lucarelli, professor Universidade de Sidney, Austrália
- Michael Pettis, professor Escola de Gestão Guanghua, Universidade de Beijing, China
- Paavo Okko, professor Universidade de Turku, Finlândia
- Ansgar Belke, professor Universidade de Duisburg-Essen, Alemanha
- Peter Drysdale, professor Universidade da Austrália, Camberra, Austrália
- Peter Cohan, consultor, autor e bloguer da Fortune, Boston, EUA
- Bob Eisenbeis, economista-chefe da área monetária da Cumberland Advisors, Florida, EUA
VERSÃO EM INGLÊS 2012: Total Uncertainty in the year of the Dragon (via LisWires)
INTRODUÇÃO
Previsões sólidas foram difíceis de arrancar. Os temas de preocupação são consensuais – crise do euro, Estados Unidos, China, bomba ao retardador dos desequilíbrios mundiais entre países excedentários e deficitários, e zonas de alto risco de conflito militar com impacto económico global -, mas o resultado final é uma interrogação.
O pano de fundo continua o mesmo – a convergência de uma crise financeira e económica de que já não havia memória desde os anos 1930 com uma nova fase da globalização que, desde os anos 1990, catapultou para a ribalta novos protagonistas na geoeconomia e na geopolítica.
CINCO – CINCO – CINCO – CINCO – CINCO RISCOS
. Crise da zona euro: risco de vaga de incumprimentos das dívidas soberanas nos “periféricos”; período de maior risco: 1º semestre
. Risco intermitente de incumprimento seletivo nos Estados Unidos devido a divergências no Congresso até eleições presidenciais
. Maior grau de incerteza: China – entre o risco de rebentar a bolha imobiliária e a internacionalização do yuan desafiando o dólar
. Curso da crise: risco de 2012 ser a repetição de 1937, com recaída global na recessão (double-dip)
. Problema estrutural que continua por discutir: os desequilíbrios mundiais entre países excedentários e países deficitários já designado por “equilíbrio do terror financeiro”
Euro: ou vai ou racha
A crise do euro é o tema que mais opiniões atrai. O primeiro semestre de 2012 parece ser crítico sobre a sua sorte. Dois países com peso surgem na ribalta: Itália e França. Globalmente, os países do euro terão de refinanciar 1 bilião de euros de dívida ao longo do ano. Os bancos da zona euro, só no primeiro semestre, terão de pagar €665 mil milhões de dívida que vence.
Itália – cisne negro? A Itália terá de se refinanciar em €440 mil milhões, sem contar com novas emissões de dívida, segundo o Departamento do Tesouro em Roma. “Só em março serão 200 mil milhões. O meu medo é que as condições de mercado fiquem fora de controlo, dada a inabilidade dos governos da zona euro. Se os juros dos títulos italianos galgam os 8%, podem tornar-se altamente voláteis e atingir níveis inimagináveis há uns meses atrás”, refere-nos Diego Valiante, chefe de investigação no European Capital Markets Institute em Bruxelas. Valiante fala da Itália ser o ponto fraco do refinanciamento europeu em 2012 e de poder ser a surpresa desagradável do ano – o “cisne negro”.
A hipótese de um incumprimento temporário, e nomeadamente doméstico (60% da dívida soberana é detida por italianos), não é descartada. Fabrizio Goria, editor do jornal financeiro Linkiesta, é mesmo mais radical: “A Itália vai necessitar de uma re-estruturação da dívida. Não é demasiado grande para falir – é demasiado grande para resgatar. O Fundo Europeu de Estabilização Financeira não é solução e o novo Mecanismo de Estabilização Europeu pode não chegar a tempo”. Por isso, Hugo Dixon, editor do Reuters Breakingviews, em Londres, acha que a “Itália vai recorrer ao Fundo Monetário Internacional”. Constantin Gurdgiev, um professor russo a lecionar no Trinity College, em Dublin, arrisca mesmo: “Itália pode ser um cisne negro na zona euro”.
França – perde triplo A e inviabiliza FEEF e MEE? Por seu lado, a França “vai perder a sua notação de triplo A”, diz-nos Fabrice Pelosi, editor financeiro do Yahoo! Finance, em Paris. O resultado será uma campanha eleitoral para as presidenciais em abril e maio renhida, com um disparo da extrema-direita. Os resultados destas eleições são ainda uma incógnita, mas Pelosi espera “um novo plano de austeridade, o aumento do desemprego e o levantar de voo dos juros nos mercados de dívida”. Os resultados em França poderão, ainda, ter outra consequência: o colapso do eixo Merkozy (formado pela chanceler alemã Merkel e pelo atual presidente francês Nicolas Sarkozy). O hexágono gaulês vai ter de se refinanciar em €300 mil milhões de dívida que vence acrescidos de mais 100 mil milhões derivados do défice previsto para 2012.
A crise do euro abre, no entanto, oportunidades para os “de fora”, diz o consultor indiano Ashutosh Sheshabalaya, responsável pela IndiaAdvisory, que reparte o seu tempo entre a Índia, Bélgica e Portugal. “Biliões de ativos europeus – excluindo os alemães – ‘aflitos” serão apetitosos para os grupos financeiros ingleses e norte-americanos, para os conglomerados indianos e capitais chineses”, afirma.
Escalada e vaga de incumprimentos? Olhada da Austrália, a crise do euro poderá desencadear “uma cadeia de acontecimentos”, diz-nos Bill Lucarelli, professor na Universidade de Sidney. Um dos riscos é uma “escalada” da crise. “Se as atuais políticas de austeridade continuarem, é possível que os países periféricos deficitários entrem numa fase prolongada de deflação da dívida. Uma cascata de incumprimentos poderá vir a seguir a este processo acumulado de estagnação e declínio. Nestas circunstâncias extremas, a política monetária torna-se ineficaz e caímos numa situação similar à japonesa nas últimas décadas”, sublinha o professor australiano.
O emagrecimento da zona euro é um cenário que deve ser considerado “realista”, apesar do salto em frente que se pretende dar com o “compacto orçamental”, dizem vários dos entrevistados. Michael Pettis, a partir de Beijing, é particularmente crítico: “A Alemanha não dá mostras de compreender o seu papel nesta crise” e há limites para a aceitação política da terapia de choque nos periféricos, pelo que vários países membros poderão “congelar os depósitos bancários e implorarem o processo de saída do euro”, diz o professor de Finanças da Escola de Gestão Guanghua da Universidade de Beijing.
No entanto, a contra corrente, o finlandês Paavo Okko, professor da Universidade de Turku, acha que não haverá mais incumprimentos, mas apenas “alguns picos nos juros”. A própria saída do euro por parte da Grécia não lhe parece que ocorra em 2012. Hugo Dixon é, também, de opinião que não haverá saídas do euro.
O custo de saídas individuais do euro, e mesmo da desintegração da zona euro, é muito elevado, sem dúvida, refere o alemão Ansgar Belke, da Universidade de Duisburg-Essen, mas “pode chegar o momento em que apenas um pequeno choque adicional é suficiente para forçar o colapso de toda a união monetária”. Isso pode acontecer se o “limiar de dor” for alcançado por vários países da zona após um período de austeridade dolorosa e altos níveis de desemprego.
A possibilidade de períodos de “transição dual” durante 3 a 5 anos, com o euro e o regresso a uma moeda nacional lado a lado na contabilidade de empresas e de bancos de países da zona euro, é uma hipótese levantada por Sheshabalaya e por Gurdgiev, no caso de vários países abandonarem a moeda única em 2012.
EUA: intermitência do incumprimento
“Podem ocorrer momentos de incumprimento seletivo a cada dois meses até às eleições em novembro”, diz Peter Cohan, que vê a luta política pré-eleitoral como o real problema norte-americano, podendo criar situações de crise aguda como em agosto de 2011. O que conduziu ao corte de notação triplo A no verão passado pela agência Standard & Poor’s.
A economia real está muito melhor do que a imagem que é dada diariamente dos EUA, sublinha o analista de Boston. Em 2011 atingiram-se lucros recorde. E Cohan espera que em 2012 tais lucros sejam inclusive na ordem de dois dígitos e que a economia americana possa crescer 3%. Bob Eisenbeis, da consultora de investimentos norte-americana Cumberland Advisors, coloca a culpa no “comportamento disfuncional dos políticos em DC que não mostra sinais de mudança”. Mas não crê que um novo corte de notação da dívida dos EUA, colocando-a abaixo do atual AA+ atribuído pela Standard & Poor’s, se venha a verificar no próximo ano.
Por outro lado, como sublinha Constantin Gurdgiev, a predominância da China e do Médio Oriente na procura dos títulos do Tesouro norte-americanos vai acentuar-se. Os dois protagonistas terão a última palavra sobre o “imperialismo baseado na dívida” da superpotência, como o professor americano Michael Hudson baptizou a projecção global norte-americana desde os anos 1970. O que, também, tem outra implicação: o que quer que aconteça, de negativo, nesses espaços terá efeitos drásticos em Washington DC.
China: uma enorme interrogação
O principal desafio da China continua a ser domar o sobreaquecimento da economia e evitar um estoiro da “bolha” imobiliária, bem como fazer a transição para um novo modelo económico menos mercantilista (até aqui apostado nas exportações e na moeda desvalorizada artificialmente) e mais consumista internamente, já aprovado em março com o plano quinquenal 2011-2015. Um momento alto dessa transição será a eleição de uma nova liderança do Partido Comunista da China no 18º Congresso no outono.
Mas Michael Pettis, a partir de Beijing, tem dúvidas: “A China não conseguirá ainda concluir o seu debate interno sobre os passos a dar para reequilibrar a sua economia. Por isso, as taxas de crescimento continuarão elevadas, na ordem dos 7 a 8%. No entanto, os níveis de dívida dispararão, o suficiente para alarmar o mundo”.
Além da projeção externa dos seus capitais, a China está apostada na afirmação internacional do yuan, a moeda chinesa. O recente acordo com o Japão encorajando as trocas comerciais a realizarem-se nas moedas respetivas, e não no dólar, é significativo de uma mudança de posição geopolítica que em 2012 poderá acentuar-se. A China é a segunda maior economia do mundo e o Japão a terceira – o simbolismo desta decisão é mais do que óbvio.
Repetição de 1937: uma hipótese não académica
O ano de 1937 ficou batizado, durante a Grande Depressão do início do século passado, como o do double-dip, ou recaída na recessão. O australiano Bill Lucarelli acha que pode repetir-se o mesmo padrão de então. Ele adianta que os desequilíbrios mundiais entre países excedentários e deficitários estão a avolumar-se e que a “paz” atual pode romper-se de um momento para o outro. Lucarelli usa a expressão de “balança do terror financeiro”, cunhada por Larry Summers, ex-secretário do Tesouro de Bill Clinton, em 2004, para caracterizar a situação de alto risco em que se vive.
Apesar das previsões de um crescimento mundial na ordem dos 3,6%, “o mito de que o mundo emergente se separou dos problemas da crise dos desenvolvidos poderá morrer em 2012″, alvitra Michael Pettis. O resultado será um declínio abrupto do crescimento nessa parte do mundo que tem servido de motor desde o início do século, o que implicaria um cenário temível de sincronização do abrandamento em diversas geografias.
No entanto, o australiano Peter Drysdale acha que “as economias asiáticas emergentes ainda estão numa posição forte”. “O potencial de crescimento permanece elevado. Isso não mudou com a crise mundial”, refere o professor da Crawford School of Economics and Government da Universidade da Austrália, em Camberra. E recorda o caso do Japão entre as duas guerras mundiais do século XX que, apesar dos múltiplos choques que sofreu, cresceu, em termos reais, a mais de 4% ao ano, um nível excecional para os padrões da época. Recorde-se que os EUA, na década de 1930, cresceram, em média, 1,3%.
Na própria zona euro, o intervalo de variação pode ser significativo, diz Paavo Okko, entre a estagnação e uma recessão de 2% em média em toda a União Europeia, se a crise da dívida se agravar. “Em alguns países, 5% de quebra”, parece-lhe provável e a assimetria pode acentuar-se, com países mantendo níveis de crescimento, como a Alemanha e os Nórdicos, face a largas manchas continentais de recessão e depressão.
Vários paióis geopolíticos
A par da luta pela hegemonia dentro da União Europeia e do crescente radicalismo dentro do Congresso norte-americano, há vários pontos do mundo à espera de um fósforo. O “Global FX Outlook 2012″ da consultora Nomura fala em 10. Qualquer um deles tem carga suficiente para “sacudir os mercados”.
A principal preocupação do analista Peter Cohan é um potencial conflito entre Israel e o Irão e o bloqueio do estreito de Ormuz, com os impactos que pode ter nos circuitos logísticos do petróleo e no seu preço, bem como no conflito mais generalizado que pode incendiar.
Mas surpresas podem acontecer, também, na Ásia – não faltam braseiros potenciais.
Para o australiano Peter Drysdale a “maior incerteza é saber qual vai ser a resposta americana, e em menor grau europeia, à China”. Uma “ressaca” psicológica em 2012, com um ressentimento antichinês, particularmente nos EUA, poderá ser contraproducente, conclui.
OS ENTREVISTADOS (por entrada em cena)
- Diego Valiante, chefe de investigação do European Capital Markets Institite, Bruxelas, Bélgica
- Fabrizio Goria, editor Linkiesta, Milão, Itália
- Hugo Dixon, editor e fundador do Reuters Breakingviews, Londres, Reino Unido
- Constantin Gurdgiev, professor Trinity College, Dublin, Irlanda
- Fabrice Pelosi, editor do Yahoo! Finance, Paris, França
- Ashustosh Sheshabalaya, IndiaAdvisory, Bruxelas, Bélgica, e Nova Deli, Índia
- Bill Lucarelli, professor Universidade de Sidney, Austrália
- Michael Pettis, professor Escola de Gestão Guanghua, Universidade de Beijing, China
- Paavo Okko, professor Universidade de Turku, Finlândia
- Ansgar Belke, professor Universidade de Duisburg-Essen, Alemanha
- Peter Drysdale, professor Universidade da Austrália, Camberra, Austrália
- Peter Cohan, consultor, autor e bloguer da Fortune, Boston, EUA
- Bob Eisenbeis, economista-chefe da área monetária da Cumberland Advisors, Florida, EUA
Miriam Vasco
Presidente


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